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20 fevereiro 2009

Vicky Cristina Barcelona

Confesso que o Bardem e a Penélope Cruz actuaram como isco. Fui ver este filme para tentar tirar as teimas e domar o meu feitio em relação ao Woody Allen. Entrei no filme esperando algum desconsolo final, saí como esperado.
O desconsolo vem de não gostar especialmente do Woddy Allen. Começo por embirrar com o ar de parvo dele. Não morri de amores por nenhum filme dele que tenha visto. E nem foram assim tantos, dada a minha embirração com o homem :) Não gosto de filmes com narrador; o ritmo morno entorpece-me; as personagens meio sonsas e sem muita profundidade aborrecem-me; o beicinho com aspirações a sexy da Scarlett Johansson arranca-me bocejos; e nem consigo reflectir muito sobre as relações que o filme retrata, porque são tão superficiais que não me deixam vontade.
Não acredito que todos os filmes tenham de ser verdadeiras obras de arte, fontes de moralidades para a vida ou para reflexões muito profundas. Sou mais a favor do cinema-entretenimento do que muitos me julgam capaz de ser :)
Salvam-se o Bardem e a Penélope, os cenários e a música. Ele está lindíssimo e faz um papel giro (longe do melhor que sabe fazer, mas isso não lhe foi pedido...); ela toma conta do filme, nos pedaços em que entra. Gostei da luz , adorei a banda sonora, ri muito com algumas partes do filme. Fiquei cheia de vontade de voltar a Barcelona, para me deixar encantar pela cidade.

19 fevereiro 2009

A fábula do milionário


Era uma vez um menino órfão e muito pobre que vive na Índia. Por ser pobre, não tem direitos nenhuns, nem o direito a saber algumas coisas e a ter alguma sorte. Quando vai parar a um concurso onde se pode ganhar muito dinheiro e acerta resposta atrás de resposta, só pode estar a mentir. Porque os pobres são assim, gananciosos e mentirosos. E ser vil é apanágio exclusivo dos pobres. A generosidade e a compaixão são-lhes desconhecidas. Se tiver sorte, o pobre estará a fazer batota ou a utilizar um truque. Porque a sorte só favorece alguns... e se ele fosse uma pessoa de sorte, não seria tão pobre, pois não? A fábula não estaria completa se, lá no fundo, o menino pobre não fosse capaz de amar. E ama, de facto. Há uma menina que atravessa a história, como objecto dos seus afectos.
Vi Slumdog Millionaire. Gostei muito! Não é o melhor filme que já vi, tem montes de clichés, mas tem muitos momentos brilhantes, comoventes uns, hilariantes outros. A ver, sem dúvida, seja ele ou não um candidato ao Oscar de Melhor Filme.

09 janeiro 2009

Valsa com Bashir


Fui ver Valsa com Bashir na 3ª feira. Fui um bocado à toa, sem saber ao certo ao que ia. Saí da sala com ares de quem levou um murro no estômago. Não me entendam mal, o filme é muito bom e eu gostei muito. Trata-se de uma espécie de documentário + autobiografia + filme de animação. O que me custou a digerir foi a violência. Nunca conseguirei de ser indiferente às barbaridades cometidas em nome da pátria, de Deus, de um qualquer grupo étnico ou de supostos ideais políticos.

17 novembro 2008

Blindness II




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Adaptação muitíssimo fiel do Ensaio sobre a cegueira, com o cuidado de não cair no exagero e de não ser excessivamente pesado. Imperdível!

30 julho 2008

Uma comédia sexual numa noite de verão

ou A Midsummer Night's Sex Comedy, no original. Fui ver a projecção deste filme na Fábrica de Braço de Prata na semana passada. Confesso que estava mais interessada na fábrica do que no filme, mas ainda assim gostei bastante. É uma comédia despretensiosa, com alguns momentos meio tontos - algo que associo a Woody Allen, com quem sempre embirrei por causa do seu eterno ar de ... tonto!
Até admito que o senhor possa ser um pequeno génio :) Afinal de contas, só vi dois filmes dele, contando com este. E garanto que é mesmo porque embirro com o ar dele.

29 abril 2008

Blindness

Adaptação do «Ensaio Sobre a Cegueira», único livro do Saramago que li até ao fim, Blindness é o novo filme de Fernando Meirelles, com estreia prevista no Outono deste ano. Como adorei o livro e a adaptação a teatro, estou mortinha para ver o filme :)


Trailer disponível aqui | Blog de Fernando Meirelles sobre o filme, aqui.

E por falar em Saramago... já começou a exposição sobre o senhor (José Saramago. A consistência dos sonhos), na Galeria do rei D. Luís I, no Palácio Nacional da Ajuda. Está patente até ao final de Julho.

28 março 2008

Ausência

Ainda não foi desta que deixei de escrever! Entre o trabalho, formação, outras ocupações, as férias da Páscoa e alguma indolência, o Estrelas esteve quase a patinar... e retomar é sempre um momento de desenferrujar :)

As últimas semanas foram preenchidas com exposições, teatro, cinema, música nova, livros. Vi as exposições fotográficas «Por uma vida melhor», de Gerald Bloncourt e «Portugal, um retrato social» de António Barreto; a peça «Mishelle di Sant'Oliva» de Emma Dante; os filmes «Os Falsificadores» de Stefan Ruzowitzky (oscar para melhor filme estrangeiro) e «Este país não é para velhos», dos irmãos Coen. Do que ouvi, destaco o álbum de estreia da Rita RedShoes, o último do Jamice, para quem gosta de zouk e os Corvos a tocar músicas dos Xutos (num destes dias, na Fnac do Colombo... fantástico!). Pus algumas das minhas leituras em dia! Li «Como tornar-se doente mental», uma sátira deliciosa à nossa sociedade e à forma como banalizámos a doença mental , de J. L. Pio de Abreu e «Tieta do Agreste», mais uma obra lindíssima de Jorge Amado; terminei «The tale of the body thief» da Anne Rice; ando a arrastar «A audácia da esperança», do Barack Obama.

Faits divers destas semanas: fiz 30 horas de formação sobre Oracle Portal, uma tecnologia com a qual passarei a trabalhar. Estou entusiasmada com o que isto acrescentará ao meu trabalho, em termos de qualidade. Conheci gente nova. Estive uma semana praticamente fora do sítio do costume, sem ver ninguém, sem me aborrecer muito. Bem bom :)
Depois de muitas hesitações, voltou-me a veia decoradora. Pendurei quadros na casa da Borbie! Como não podia deixar de ser, tive um percalço e um deles caiu-me em cima da cama, mesmo ao lado da minha cabeça, a meio de uma destas noites. Foi um susto!
Viciei-me em bolos :) Bolos de pastelaria, bolos caseiros, dêem-me bolos! Pior, na minha santa terrinha, o que não faltam são pastelarias com fabrico próprio, qual delas a melhor. Depois da saga das bolas-de-Berlim, agora marcham delícias folhadas, glórias pequenas, laços, guardanapos, bolos à fatia... uma festa!
Matei a televisão lá de casa - já só passava o primeiro e segundo canal, por obra e graça da velhíssima e muito coxa antena lá do prédio, mas agora entrou num coma profundo, pontuado por um apito estridente e contínuo. Foi para arranjar. Ainda não sei se volta... Custou-me muito no primeiro dia. Agora estou na santa paz :) Vai voltar a doer-me na 3ª feira, quando transmitirem mais um episódio da Anatomia de Grey, mas não há-de cair a casa.

26 fevereiro 2008

Persépolis




Das gargalhadas ao nó na garganta, dá para tudo. Não vos conto a história :) mas aconselho vivamente!

29 janeiro 2008

4 meses, 3 semanas, 2 dias

Pois é, fui ver o filme que ganhou a Palma de Ouro 2007. Pela sinopse, esperava outra coisa. Pelo prémio, esperava MAIS. Saiu-me um filme lento, com alguns momentos bons, outros incompreensíveis, outros só surreais. Deu para verdadeiras crises de riso dentro de uma sala muito deserta, onde as pessoas consultavam as horas e falavam baixinho ao telemóvel.

10 agosto 2007

Platoon


Era miúda quando vi este filme pela primeira vez. Creio que foi o primeiro filme que me fez perceber que a guerra é uma situação de excepção em que muito do que existe de melhor e de pior num ser humano se revela, em condições que nem consigo imaginar a sério, porque não sei o que é a guerra real. Dizem que a guerra muda as pessoas. Dizem que na guerra vale tudo, porque o importante é sobreviver.
Há muito tempo que andava atrás deste filme em DVD - estava esgotado em todas as lojas onde procurei, e nem de encomenda se arranjava. Hoje tive a sorte de o receber pelo correio: um amigo enviou-mo de surpresa, depois de meses de busca por todo o lado. Ao amigo, o meu enormíssimo obrigado! Em tudo, tu és excepcional :)

13 março 2007

diamantes e dourados

Diamantes - são irresistíveis :) «calhauzinhos brilhantes e nada mais, pensava eu...» Nada disso! Depois de pôr um no dedo, nunca mais fui a mesma. E mesmo não estando na onda do preciso, preciso, preciso! gosto de ver umas joiazitas :) Sábado, fui ver a exposição Cartier, na Gulbenkian. Não percebo pevide de ourivesaria, mas como em todas as outras artes, creio que tudo se resume a gostar ou não do que se vê. E eu gostei! Peças deslumbrantes: os relógios misteriosos, uma fivela para um cinto em forma de escaravelho, incorporando faiança egípcia datada de 2000 a.C., diademas e mais diademas.... e a minha peça preferida: um pente para bigode, giríssimo por ser pequenito e por evocar homens requintados do início do século XX, feito de casca de tartaruga e com o respectivo estojinho! A exposição termina no final de Abril.

Dourados - tons predominantes no filme A Maldição da Flor Dourada, que vi no domingo. Fotografia fantástica, guarda-roupa impressionante, banda sonora forte, artes marciais q.b., mas nada de saltariquices excessivas. Há qualquer coisa nos argumentos dos filmes chineses que me escapa... provavelmente porque não partilhamos o mesmo código de valores. Seja como for, cinema é sobretudo entretenimento, e sai-se deste filme com a sensação de ter passado um par de horas agradáveis.

20 novembro 2006

Paris, je t'aime

Mais cinema! Vi Paris je t'aime na sexta-feira. É um filme incomum, composto por várias sequências dirigidas por realizadores diferentes. Isto resulta algo confuso, mas o saldo final é bastante positivo. São visões muito diferentes das relações humanas, na cidade do amor romântico. Algumas das sequências são cómicas, outras meio surreais, outras ainda, comoventes. Destaco três delas: Faubourg Saint-Denis, de Tom Tykwer, Bastille, de Isabel Coixet e Place des Fêtes, de Oliver Schmitz.
Na primeira, somos guiados pela retrospectiva do namoro de dois jovens - ele é francês, estudante e cego, ela é uma aspirante a actriz, americana. Conheceram-se por acaso, viveram um idílio romântico que se foi transformando em normalidade. Ela é intensa, ele é regular. Ele segura-a, ela agita-o. Todas as paixões viram rotina? Aparentemente...
A segunda sequência é avassaladora - a renúncia é sempre assim. Quando ele se preparava para a abandonar, ela revela-lhe que vai morrer. E ele desiste de si e fica, para cuidar dela, acabando por voltar a amá-la, talvez até com com maior intensidade, porque a perda iminente aguça os sentidos.
A última sequência é aparentemente banal - ele foi esfaqueado, ela é socorrista e presta-lhe cuidados. Ela percebe, então, que ele é um dos anónimos com quem já cruzou, que ele reparou nela e que ele até é interessante. A dor dos outros é sempre chocante - a dor física ou a dor emocional. Ele canta. Ela recorda-se da canção. E um sorriso trocado inocentemente ganha uma dimensão nova perante a tragédia da violência sem sentido.
Tenho vontade de ver este filme novamente, de caderninho em punho :) Quanto mais revejo as sequências na minha mente, mais tenho a certeza que me escaparam muitos pormenores dignos de nota.

Out of Africa

Continuam a passar bons filmes! Ontem à noite vi um dos meus filmes preferidos de sempre: Out of Africa, de Sydney Pollack. Já vi este filme tantas vezes que sei de cor pedaços do texto, da sequência das cenas e da banda sonora, mas nem isso lhe tira o encanto. Ainda me emociono sempre nas mesmas partes: o primeiro vôo, a separação de Karen e Denys, o incêndio, o pedido de terras, o poema no funeral e a despedida entre Karen e Farah Aden.
Adoro a fotografia, o sotaque irrepreensível e o cabelo revolto da Meryl Streep, o charme esmagador do Robert Redford, o ar distante-terno-interessado de Malick Bowens. Andei anos atrás da fabulosa banda sonora. Uma das minhas citações preferidas saiu deste filme: Denys pergunta a Karen se pode trazer as suas coisas para casa dela. É a sua forma de lhe dizer que quer viver com ela. Diz-lho durante uma caminhada, a olhar em em frente, quase como se estivesse a falar do tempo. Ela responde-lhe when the gods want to punish you, they answer your prayers, pára repentinamente e abraça-o. Há coisas que não se pedem, mas que sabem que nem ginjas quando acontecem.
Outra das coisas que me encanta neste filme é a conjugação entre a independência das personagens e o amor entre elas. Construir alguma coisa a dois é sempre incrivelmente complicado, mais ainda quando se têm tão presentes os conceitos de liberdade e de espaço individual. A questão nunca é saber se se gosta ou não de determinada pessoa - é mais de saber até que ponto se é capaz de abdicar de rituais, hábitos, ritmos que se têm por certos, em prol de uma construção binária, dependente de outra pessoa... porque gostar é só o princípio.

06 novembro 2006

os meus filmes

Nos últimos tempos, tenho cruzado com alguns dos filmes que me marcaram, na programação de vários canais de televisão.

Sábado, à hora a que estava a pensar aterrar, descobri que ia passar o Fight Club na televisão. Sei por que motivo gostei tanto do filme, na época em que o vi no cinema, e confirmei que a magia ainda lá estava. A supresa do homem anónimo comum, aparentemente normal, que precisa de um escape da sua vidinha corriqueira e que tem em si um potencial destrutivo inimaginável. Psicoses. Doenças. Solidão. Fugas. Somos criaturas assustadoras, é o que é.

E por criaturas assustadoras: não fui capaz de rever o 8mm - vi um par de cenas e chegou. Foi uma martelada, quando o vi no cinema. Perturbou-me muito. Detalhes do filme ficaram-me marcados até hoje. Os horrores que se escondem nos recônditos das pessoas que se cruzam connosco nos passeios, no metro, nos corredores dos centros comerciais. E a tentativa de redenção, que é em si um horror... violência que gera violência.

Vi o meio de La Reine Margot. O meu primeiro filme francês. Drama, sangue, política e intriga. Trajes de época. Uma paixão. Morte. História romanceada. Boas cores. Lindíssima Isabelle Adjani.

Cacei um pedaço do Leaving Las Vegas. Filme brutal. Potencial destruidor de cada ser humano, mais uma vez. O mal que conseguimos infligir-nos, conscientemente, como se não tivéssemos alternativa ou escapatória. E o Amor. o Amor desesperado, desesperante, incondicional e feito de aceitação, de reconhecimento do desespero alheio e de vontade de alterar o curso das coisas. O Amor-dádiva. O Amor brutal, o Amor apressado, o Amor sôfrego de aproveitar todos os momentos possíveis. Esplendoroso Amor. Triste Amor. Comovente Amor.

24 outubro 2006

Prémios para eles :)

Prémio Príncipe das Astúrias na categoria de Letras para o Paul Auster, um dos meus escritores preferidos. Li praticamente todos os livros dele, alguns mais do que uma vez. Creio que escreveria muito do que ele escreveu, mais ou menos da mesma forma. Amo as suas personagens complexas e algo fechadas em pequenos mundinhos de egoísmo e de sofrimento. Adoro os enredos minuciosos. Deliro com os universos impossíveis e, simultaneamente, tão reais que ele cria.
Prémio Príncipe das Astúrias para o Pedro Almodóvar também, nas categoria de Artes. Sobre o Almodóvar nem preciso de dizer muito mais, dado que o meu post anterior é sobre um filme dele :) O senhor é brilhante e eu adoro as cores dos filmes dele, o ritmo, as personagens estranhas e tão intensamente humanas.
Prémios merecidos! Muito merecidos, creio eu :)

17 outubro 2006

Volver

Poucos homens retratam bem as mulheres, poucos as percebem tão bem e poucos as amam de forma tão arrebatada como Pedro Almodóvar. O retrato que Volver nos faz do feminino, das relações entre as mulheres e da forma como elas funcionam é perturbador - comovente numas ocasiões, hilariante noutras. Muito bom. Diferente de outros filmes dele. Ou nem tanto.

14 agosto 2006

Transamerica

Nada como programinhas pouco planeados para animar a malta :)

Sábado fui ver um filme muito bom, com um amigo: Transamerica, de Duncan Tucker, com Felicity Huffman no papel de um transexual às voltas com as surpresas da vida. Bree Osbourne descobre, uma semana antes da sua última operação de mudança de sexo, que é pai de Toby (Kevin Zegers), um adolescente problemático, preso em Nova Iorque. Bree é obrigada a enfrentar esta parte da sua vida antes da operação, atravessando verdades, meias-verdades, universos diferentes, afectos, desafectos, preconceitos e os EUA, de carro com Toby.
Transamerica recordou-me que a maioria das pessoas, mesmo quando são muito modernas, liberais, sem preconceitos ou lá o que se quiserem chamar, adoram embalagens perfeitinhas... de preferência, que correspondam integralmente aos seus próprios desejos e necessidades. julga-se muito e depressa demais, rotula-se sem conhecimento de causa, rejeita-se a diferença, permite-se que os afectos sejam cilindrados por preconceitos. triste mundo o nosso...!

18 maio 2006

génios da tradução

ontem fui ver o inside man. o filme é mesmo muito bom, a tradução... nem por isso!
deixo apenas uma pérola, para exemplo:
kiss my black ass = vai dar sangue

palavras para quê? :D

01 maio 2006

um filme

vi «como desencalhar um encalhado» (failure to lauch, com o Matthew McConaughey e a Sarah Jessica Parker). adorei e recomendo! é uma comédia despretensiosa, só ligeiramente lamechas e com algumas das cenas mais hilariantes que eu já vi. consigo lindamente perceber por que é que o Matthew McConaughey é considerado um dos homens mais sexy dos Estados Unidos, nos dias que correm :D quanto à Sarah Jessica Parker, ainda tenho alguma dificuldade em desligá-la da eterna Carrie de sex and the city... e com uma imagem bastante parecida, é difícil. ainda assim, gostei de a ver.
três pontos que me deixaram a pensar:
  • é mesmo verdade que saímos cada vez mais tarde de casa dos pais... e nem sempre é porque lá nos fazem a papinha toda!
  • no geral, as pessoas tendem a ter mais dificuldade em comprometer-se com o avanço da idade... mas já falei disso outras vezes :)
  • as dificuldades de comunicação que vamos criando com os nossos parceiros, candidatos (e amigos!) - tendemos a comunicar pior e deixamos que os nossos medos, brios, traumas e outros quejandos nos impeçam de conversar francamente para resolver questões simples. a propósito desta última, olhei para dentro e reconheci características defensivas que não tinha... vou a caminho de me transformar num blindado? :D

22 abril 2006

V

V for Vendetta é um filme de James McTeigue, com argumento dos irmãos Wachowski. apesar das opiniões positivas que fui ouvindo, estava reticente em vê-lo. inspiração em banda desenhada...? personagem obscuro que usa máscara o tempo todo? passado no futuro...? santa paciência, pensei eu, deve ser mais uma daquelas mariquices meio sci-fi. mas que se lixe, bute lá ver. (king card, king card!)

não negue à partida uma ciência que desconhece, rezava um anúncio na TV de uma vidente/taróloga/pseudo-bruxa de sub-cave. pois a senhora devia levar um prémio :D

a dez ou quinze minutos depois do início, a minha cabeça já só matraqueava «animal farm! 1984! ». são dois dos livros que mais gostei, lidos por recomendação de um professor do meu primeiro ano de Universidade. cada um à sua maneira, é uma metáfora de regimes totalitários, com todos os seus esquemas para dominar as massas - a censura, a tortura, a mentira, o medo, a repressão, a criação de um inimigo externo que una o povo, as palavras de ordem, o culto do líder, a uniformização dos indivíduos. a passividade das massas...
esta associação de ideias não é de todo descabida :) tal como o 1984, V for Vendetta passa-se em Londres, num período de relativa calma depois de uma época de muita conturbação, no qual um cidadão desafia as regras, porque acha que essa é a forma correcta de proceder (no filme, a Evey, personagem da Natalie Portman).
vi o filme absolutamente pregada à cadeira, deliciada com o desenrolar da história, com a mestria do Hugo Weaving (que faz de V e cuja cara nunca se vê), com a riqueza visual dos ambientes - V vive numa cave onde reúne tesouros artísticos de várias épocas; Gordon tem a sua cave de tesouros também. não vou contar como acaba, porque não sou desmancha... mas posso dizer que gostei mesmo muito!

a não perder.