17 maio 2007

Só a mim!

Na semana passada, entra uma aluna pela minha sala adentro, querendo ajuda para um trabalho de grupo - sem cumprimentos, com uma informalidade excessiva que a levava a tratar-me por «pá», sem colega de grupo, sem guião do trabalho, sem perguntas concretas e dizendo muitas parvoíces à mistura. Marquei-lhe uma entrevista comigo, para esta semana. Dei-lhe o meu endereço de correio electrónico para que me mandasse pedidos concretos. Expliquei-lhe que não nos conhecíamos de lado nenhum, pelo que «pá» era uma forma de tratamento desadequada. A partir daí, foi um festival - disse-me todo o género de parvoíces, questionou o meu horário de trabalho e a minha competência profissional, ameaçou com a visita do docente da cadeira e da colega de grupo e terminou ameaçando-me com o livro de reclamações. Reclamou, de facto. Contou uma versão diferente dos factos. Fez-se passar por vítima das minha manias.
Dias depois, escreveu-me, mandando-me o dito plano do trabalho e confirmando a reunião. Decidi que a receberia, apenas para lhe dizer que não colaboraria com ela, dadas as circunstâncias. Recebi. Informei-a da minha decisão. Fez nova peixeirada, com insultos e outras parvoíces à mistura. E fez nova queixa no livro de reclamações: desta vez, queixa-se do meu «abuso de poder», porque me recuso a colaborar com ela. Refere-se ao Presidente do Conselho Directivo como se se referisse ao jardineiro e termina, escrevendo que isto assim não pode continuar.
Pois, de facto não pode. Nisso concordamos :D O meu profissionalismo não pode continuar a ser questionado desta forma por uma garota mal-educada, sem sentido do que é apropriado e que passa impune, sem que ninguém a coloque no lugar. Para grande pena minha, não posso ser eu a fazê-lo, porque qualquer acto meu seria tomado como um acto hostil contra a criatura. Que seria, de facto! Do que posso avaliar, esta fulana pertence à sub-espécie «só à paulada é que aprendes...». E não me importava nada de lhe dar uma pauladita bem dada.
No meio de tudo, choca-me que a instituição para a qual trabalho, avaliando o que conhece de mim e do meu trabalho, não tenha cerrado fileiras em meu redor. Não esperava que fossem autistas e até admito que ouvissem a senhora. Daí a tentarem pressionar-me para colaborar com ela, tendo em conta a situação, parece-me de uma sabujice indecorosa. Faz lembrar os tempos do antigamente, no que eles tinham de pior. Fui muito clara na minha recusa em colaborar. Faço parte de um novo modelo de funcionário público: não tiro fotocópias de borla, não levo canetas para casa, não meto baixa porque me apetece nem desapareço depois de picar o ponto. Mas também não tenho medo de gente sem razão, que usa o direito à reclamação que assiste a todos os cidadãos como arma de arremesso para vingancinhas de meia tigela.

3 comentários:

Fausto Fonseca disse...

Existem cromos em todo o lado e realmente è necessário tomar posições como as que tomaste. São posições que no final do caminho só ajudam toda a gente, porque criam um ambiente de coerência, profissionalismo e responsabilidade. Entretanto se houver paulada filma e mete no youtube e no teu blog. Até compro pipocas e tudo:)

LadyBOO disse...

força aí sódona borbes!
a senhora que espeneie e que se vire do avesso. A boa educação não tem preço e conhecermos o nosso lugar também não!

perlbuda disse...

avisa se precisares de ajuda...

posso providenciar tratamentos pessoais com delicadeza e umas massagens relaxantes em vários pontos do corpo, originando vários momento de puro prazer masoquista :) ... porque me parece que a peça é masoquista!