19 fevereiro 2009

Lisboa-Guarda-Lisboa, com paragens pelo caminho

Começou por ser uma ideia meio parva: ir de Lisboa à Guarda ver um concerto? Seria, se não fosse um concerto da Buika, que adoramos! Fomos. E valeu imenso a pena. Num teatro novo e lindíssimo, com direito a lugares na primeira fila, ao mesmo nível do palco, fomos brindados com uma actuação de uma Buika sorridente, simpática, cheia de sentido de humor, que canta o amor e o desamor com uma emoção contagiante.




Se só a isso se tivesse resumido o fim-de-semana, já o saldo seria positivo. Mas houve mais: Santarém, Belver, Guarda, Belmonte, Penamacor, Monsanto; amigos, comezainas, castelos, montes, paisagens, riso, cantorias, conversas, compras; regresso a lugares de boas memórias e descoberta de outros; pequenas lições de história; muitas fotografias; roubar um poster e trazê-lo para casa; detestar o jantar e devorar o pequeno almoço; as cores do fim do dia; o frio; a presença da Serra da Estrela ao fundo, com o seu chapéu de neve.

Comédias da vida real

- Borbie, deixa-me contar-te uma cena. Conheci um rapaz na net, o Zacarias. Não consegui nada. CACACACAACACACCA

- E esse Zacarias é vesgo, gay, tem alguma doença, ou é um camionista cinquentão e barbudo a fazer-se passar por um tipo de 30 e tal, licenciado? tendo em conta que o conheceste online... temos de fazer perguntas básicas!

- ...tem "qualquer coisa ali"....

- Começas a parecer-te assustadoramente com a Maria Joaquina (aquela nossa amiga que passa a vida a conhecer "Deuses Gregos" online). Descobre as diferenças! Passo a citar o discurso dela, com algumas flores: "Ai, conheci um macaco muito simpático, que vive na ilha da Páscoa!"

- O Zacarias tem 34 anos, diz que é divorciado.

- E vende na Feira do Relógio?

- Diz que nao tem filhos e trabalha numa empresa de construção civil.

- Ah, pronto, está resolvido o enigma: afinal é o príncipe trolha!!! Estou a imaginá-lo num andaime todo pimpão, a atirar pazadas de cimento e reboco a paredes, enquanto mica o trânsito das moças e diz pérolas como "eh, carapau! isso com molhinho à espanhola comia-se tudo!"

A fábula do milionário


Era uma vez um menino órfão e muito pobre que vive na Índia. Por ser pobre, não tem direitos nenhuns, nem o direito a saber algumas coisas e a ter alguma sorte. Quando vai parar a um concurso onde se pode ganhar muito dinheiro e acerta resposta atrás de resposta, só pode estar a mentir. Porque os pobres são assim, gananciosos e mentirosos. E ser vil é apanágio exclusivo dos pobres. A generosidade e a compaixão são-lhes desconhecidas. Se tiver sorte, o pobre estará a fazer batota ou a utilizar um truque. Porque a sorte só favorece alguns... e se ele fosse uma pessoa de sorte, não seria tão pobre, pois não? A fábula não estaria completa se, lá no fundo, o menino pobre não fosse capaz de amar. E ama, de facto. Há uma menina que atravessa a história, como objecto dos seus afectos.
Vi Slumdog Millionaire. Gostei muito! Não é o melhor filme que já vi, tem montes de clichés, mas tem muitos momentos brilhantes, comoventes uns, hilariantes outros. A ver, sem dúvida, seja ele ou não um candidato ao Oscar de Melhor Filme.

Gelo fino



Andar sobre gelo fino tem o seu quê de presunção: acha-se sempre que se é leve o suficiente para o fazer com segurança ou, pelo menos, com um risco muito moderado. Até ao dia em que o gelo estala e o presunçoso se afunda na água fresquinha armazenada por debaixo do gelo. Com sorte, mergulha só o pé. 
Mas até esta sorte é limitada, porque andar de pé gelado é um pincel desgraçado (se rima é verdade!). Se a aventura perdurar, mais serão as hipóteses de um banho tomar (Eheh, espirituosa, não é? Quer rimar!). E depois do banho tomado está o caldo entornado (Bolas, que ela agora não se cala com as rimas!)
Não há toalha que chegue, nem aquecedor que resolva o frio: resta andar, para aquecer... longe do gelo.

Cara de poker

Cenário: ontem, meio de uma tarde morna, sem muito que fazer. Reunião com o Big Boss do estaminé, para planear mais um trabalho urgente, apresentado em cima do joelho. Até aí, nada de novo no reino do improviso.
A personagem principal: Big Boss é uma fonte de alegria no trabalho, conhecido entre colegas pela sua excentricidade no vestir, que alegra os nossos dias e quebra alguma rara monotonia no trabalho. Ele é calças cor-de-laranja com camisas às riscas do arco-íris, sapatos de verniz com modelo da outra senhora, roupa roxa de tons diversos da cabeça aos pés, calças vermelhas e camisa com grande logo de uma marca cara, aberta o suficiente para se ver uma t-shirt da brindaria com letras garrafais anunciando um qualquer evento ou produto... um maná para a vista e para o coração. E atenção, para a idade e a rodagem, Big Boss até não é de se deitar fora. Não fosse a mania das dietas, o facto de se alimentar a meios Compal (nunca bebe um até ao fim e deixa as garrafas semeadas pelo caminho...) e de ter uma mulher e uma outra, até seria um partido bastante apetecível em casos de algum desespero!
A situação: Big Boss, numa das suas indumentárias criativas, fala entusiasticamente do novo projecto da empresa, um cavalo destinado ao sucesso e a altos voos. Borbie e colegas tiram notas. Pequena pausa no discurso e Borbie levanta os olhos do papel, mesmo a tempo de olhar para o Big Boss... que traz uma T-SHIRT PRETA DE REDE (sim, rede, tipo meias de rede!) a espreitar por baixo da camisa criativa.
Flash: música tipo Ibiza, uma pista cheia e Big Boss com su camiseta de rede, dançando ao ritmo de Corona. De volta à realidade da reunião, só mesmo a cara de poker pode salvar a situação!

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Corona - The rythm of the night
(live, como não poderia deixar de ser)


18 fevereiro 2009

Pequenos momentos de perfeição

Meredith: I can't stop, Cristina, I can't stop seeing Derek. It's not about the sex. It's not about the sex, it's about that moment afterward. The world stops, just feels so safe... So safe. I'm not ready to give that up. Does that make me sad, weak, and pathetic?
Cristina: A little bit.
Meredith: What do I do?

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Fiz as pazes com a Anatomia de Grey, está visto.

13 fevereiro 2009

Necromancias




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U2 - Who's gonna ride your wild horses
You're dangerous 'cause you're honest
You're dangerous, you don't know what you want
Well you left my heart empty as a vacant lot
For any spirit to haunt

Hey hey sha la la
Hey hey

You're an accident waiting to happen
You're a piece of glass left in a beach
Well, you tell me things I know you're not supposed to
Then you leave me just out of reach

Hey hey sha la la
Hey hey sha la la

Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna drown in your blue sea?
Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna fall at the foot of thee?

Well you stole it 'cause I needed the cash
And you killed it 'cause I wanted revenge
Well you lied to me 'cause I asked you to
Baby, can we still be friends?

Hey hey sha la la
Hey hey sha la la

Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna drown in your blue sea?
Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna fall at the foot of thee?

Oh, the deeper I spin
Oh, the hunter will sin for your ivory skin
Took a drive in the dirty rain
To a place where the wind calls your name
Under the trees the river laughing at you and me
Hallelujah, heavens white rose
The doors you open
I just can't close

Don't turn around, don't turn around again
Don't turn around, your gypsy heart
Don't turn around, don't turn around again
Don't turn around, and don't look back
Come on now love, don't you look back!


Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna drown in your blue sea?
Who's gonna taste your salt water kisses?
Who's gonna take the place of me?

Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna tame the heart of thee?

11 fevereiro 2009

Paixão assolapada




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Antony and the Johnsons - Fistful of love

I was lying in my bed last night staring
At a ceiling full of stars
When it suddenly hit me
I just have to let you know how I feel
We live together in a photograph of time
I look into your eyes
And the seas open up to me
I tell you I love you
And I always will
And I know you can't tell me
I know you can't tell me

So I'm left to pick up
The hints, the little symbols of your devotion
So I'm left to pick up
The hints, the little symbols of your devotion

And I feel your fists
And I know it's out of love
And I feel the whip
And I know it's out of love
And I feel your burning eyes burning holes
Straight through my heart
It's out of love
It's out of love

I accept and I collect upon my body
The memories of your devotion
I accept and I collect upon by body
The memories of your devotion

And I feel your fists
And I know it's out of love
And I feel the whip
And I know it's out of love
And I feel your burning eyes burning holes
Straight through my heart
It's out of love, ooh hoo
It's out of love
Give me a little bit serious love
Give me a little full love
Be full of love
Fists, fists, fists full of love...

09 fevereiro 2009

Dia dos Carneiros


Ele está aí! O dia dos suspiros, das rosas, dos olhares melados. O dia dos peluches brancos e dos restaurantes cheios de parzinhos. Já disse que embirro solenemente com o dia de S. Valentim, mas nunca foi tão mau como este ano: o dia já paira sobre a minha agenda de trabalho há duas semanas, em promoções de tudo e mais alguma coisa, com ementas especiais, bebidas especiais, decorações especiais, presentes especiais... um nunca mais acabar de especialidades para pessoas igualmente (adivinhem lá esta!) especiais. Um enjoo!
Dizem que o amor é lindo e que faz o coração palpitar. Mas este concentrado de amor só pode ser tóxico e ter efeitos secundários!

06 fevereiro 2009

O bicho

O amor é um bicho,
Que nos come a solidão.
O amor é uma flor,
Que canta uma canção.

O amor é uma casa,
Onde nunca estamos sós.
O amor é um bicho,
E eu cá sou uma noz.

O amor. O amor. O amor.
O amor, o amor somos nós.

O amor é um barco,
Que nunca vai afundar.
O amor é um avião,
Que nunca vai aterrar.

O amor é um disco,
Que não pára de girar de girar.
O amor é um livro,
Que nunca vai acabar.

O amor é uma janela,
Que só dá para o coração.
O amor é um telheiro,
Que nos protege da monção.

O amor é um guarda-chuva,
Onde cabe sempre mais um e mais um.
O amor não é dinheiro,
Não precisa de nenhum.
(SITIADOS)