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24 abril 2011

Deve ser impulse!



Domingo de Páscoa. Gare do Oriente. Duas malas às costas, sem contar com a minha mala normal e o casaco. Destino: Porto.
Estava sozinha nem há um minuto, por vias da ida dos rapazes à farmácia. Tentava equilibrar as tralhas, enquanto me encaminhava para o café. Nisto, passa por mim um sujeito baixote, que me pareceu mesmo mais baixo do que eu. Devia ter desconfiado, quando o tal meio-metro de gente volta para trás e me estende o que me pareceu um folheto dobrado. "Isto é para si", disse o meio-metro. Pensei "Testemunha de Jeová, aqui?"
Não era um folheto religioso. Era um envelopinho de uma loja de objectos ditos místicos, chamada "Guarujá Esotérico". No verso tinha escrito o número de telefone do fulano meio-metro, acompanhado de uma frase: "Desejo te conhecer". No interior, tinha uma espécie de semente, de um azul pálido esquisito. Não sei se a devia ter engolido, para ter vontade de ligar ao fulano :)
Ri, ri, ri, ri. Quando finalmente parei de rir (demorou!), abri e fotografei o artigo. Hei-de publicar as imagens em breve. Será que alguém engata assim ou isto era para os apanhados?

14 novembro 2007

No autocarro da Carris

Homem 1 - Epá, no fim-de-semana fui andar de karting! muito fixe, sempre a andar, a pista é muita boa!
Homem 2 - Ih, eu também curto andar de karting, faço umas manobras fixes, sempre a acelerar.
Homem 1 - Podíamos combinar e ir juntos num fim-de-semana! Levamos as mulheres.
Homem 2 - E enquanto elas ficam entretidas a fazer o comer, vamos dar umas curvas.
(pequena pausa)
Homem 1 - Hmmm, a minha vai é querer andar de karting...!
(nova pausa)
Homem 2 - A minha também, que ela gosta de acelerar!
(pausa para pensar)
Homem 1 - Então e se levássemos uns frangos?

22 fevereiro 2007

Transportes públicos II

Este post também se podia chamar «a evangelização» :) parece que é moda!!! Elas andam por aí, a tentar converter os passageiros de comboios e autocarros. Têm a aparência de velhinhas inofensivas, mas são verdadeiras metralhadoras de doutrina... Beware!

Um dia à noite, no autocarro, uma senhora cabeção de laquê (ler com sotaque brasileiro, o mais parecido possível com o do Miguel Falabella!) atirou-me para o colo, literalmente, a Plenitude (revista ligada à IURD) e um panfleto sobre as mudanças que Deus pode operar na minha vida. «Leia!» disse ela em surdina, «Leia, que é uma revista muito boa!».

Ontem tive outro encontro para-religioso. Para evitar o elevador-mictório da estação de Moscavide, decidi descer pelas escadas. Erro crasso! Não só as escadas servem os mesmos propósitos dos elevadores, como ainda por cima abrigam velhinhas armadas de panfletos das Testemunhas de Jeová, recitando partes do livro dos Salmos ou dos Provérbios: qualquer coisa como «os iníquos serão decepados...». Ominous, ominous!

Transportes públicos I

Julgava eu que andava o suficiente de transportes públicos para já não me incomodar com muita coisa :) Se calhar, estava enganada... Nos últimos tempos mudei os meus percursos, aumentei o número e a duração das viagens e acrescentei novos meios de transporte ao meu leque habitual. Agora ando nos autocarros regulares entre o sítio onde moro e a estação mais próxima, ando de comboio e ontem (pasmem!) andei na Carris.
Costumava considerar exageradas certas afirmações sobre a fauna que povoa os transportes públicos, mas os últimos dias têm sido uma revelação. As minhas viagens quase dão um estudo sociológico! Alguns padrões de comportamento:
  1. O empurranço: gente que empurra os outros para entrar, com medo de não ter lugar sentado;
  2. A fantasia: gente sentada nos lugares reservados a idosos, grávidas e acompanhantes de crianças de colo como se pertencesse a um destes grupos;
  3. O assobiar para o ar: gente que faz de conta que não vê uma senhora, com uma criança ao colo, em pé;
  4. A peixeirada: gente que grita, tentando manter uma conversa com uma pessoa sentada três ou quatro filas atrás;
  5. Os pretensos-gordos: gente que tenta ocupar dois bancos ao sentar, ignorando que está uma pessoa ao lado;
  6. Feios, porcos e maus: gente feia, mal arranjada, de cheiros duvidosos (sim, porque eu também não sou só bons sentimentos!)
  7. A esquisitinha: esta sou eu! detesto contactos físicos com as pessoas dos dois números acima. YUCK!