Há dias em que te sinto a falta.
Falta-me o teu cheiro, a tua cor, a tua gargalhada. Sobra-me o espaço ocupado pelo teu corpo, o silêncio e o frio na pele descolada da tua. Faltam-me os sonhos que levaste contigo.
Lembro-me da última conversa, demorada, dolorosa, falso-leve. Desejos mútuos de felicidades. Promessas de amizade. Tudo vazio.
Recordo os risos, o toque, o coração a pulsar na garganta e uma alegria desmedida a circular-me nas veias. Olhos brilhantes. Borboletas no estômago e pernas a tremer ligeiramente. Mãos e bocas ávidas. Pretérito perfeito.
Conto horas impossíveis para te voltar a ter. Regressas-me em sonhos. Vejo o teu rosto nos anónimos que passam por mim. Sinto o teu perfume no ar.
És uma pedra no meu sapato. Vou descalçar-me e sacudir-te.
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22 julho 2008
20 novembro 2006
Memorabilia
Memórias, momentos, passados.
Fotografias, fitas, flores secas.
Frasco, garrafas, rótulos.
Emoções. Sensações.
Meias, anel, colar, lingerie.
Relíquias. Naftalina do tempo.
Programas de teatro. Bilhetes de cinema.
Filme manhoso. Filmes terapêuticos.
As tuas músicas. As minhas.
Concertos memoráveis.
Cartas. Postais. Mails. Logs.
Notinhas marginais em páginas soltas.
Anotações numa agenda.
Os livros. Um diário. Papelinhos.
Encaixotados. Arrumados.
Passados cobertos de pó.
Fechados em compartimentos estanques.
Fotografias, fitas, flores secas.
Frasco, garrafas, rótulos.
Emoções. Sensações.
Meias, anel, colar, lingerie.
Relíquias. Naftalina do tempo.
Programas de teatro. Bilhetes de cinema.
Filme manhoso. Filmes terapêuticos.
As tuas músicas. As minhas.
Concertos memoráveis.
Cartas. Postais. Mails. Logs.
Notinhas marginais em páginas soltas.
Anotações numa agenda.
Os livros. Um diário. Papelinhos.
Encaixotados. Arrumados.
Passados cobertos de pó.
Fechados em compartimentos estanques.
05 setembro 2006
do outro lado
Do outro lado da tua porta
Onde os meus dedos ficaram trilhados
Na vertigem da tua fuga precipitada
Do outro lado do teu muro
Ouvindo o teu silêncio pesado
Saboreando aquilo que não me disseste
Inspirando a memória do que já foi
Do outro lado da tua janela
A tua distância é a minha
Intransponível, enorme, resoluta, penosa
Do outro lado da tua vida
No recomeço da minha
Sem te ouvir, sem te ver, sem saber de ti
Aprendendo com a tua ausência
Onde os meus dedos ficaram trilhados
Na vertigem da tua fuga precipitada
Do outro lado do teu muro
Ouvindo o teu silêncio pesado
Saboreando aquilo que não me disseste
Inspirando a memória do que já foi
Do outro lado da tua janela
A tua distância é a minha
Intransponível, enorme, resoluta, penosa
Do outro lado da tua vida
No recomeço da minha
Sem te ouvir, sem te ver, sem saber de ti
Aprendendo com a tua ausência
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