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28 setembro 2009

Eleições por olhos mais ou menos fúteis

- Dom da oratória: Paulo Portas
- Cabeção-de-laquê: Manuela Ferreira Leite
- Mania das grandezas: Francisco Louçã
- Mais do mesmo: Jerónimo de Sousa
- O mais giro: José Sócrates

24 março 2009

Cada um come o peixe que quer :)


A British Cashew chamou-me a atenção para a primeira página do Meia Hora de ontem: é verdade que só os tugas perceberão este headline, mas está muito bem apanhado. 

05 novembro 2008

Inspirador



Estou contente.
O discurso de vitória, no Grand Park, em Chicago, está disponível aqui.

29 agosto 2008

Obama

Vi o discurso de aceitação de nomeação do Barack Obama. Sou fã dele. Tenho acompanhado a campanha e tenho a certeza que votaria Obama. Não é só porque o senhor é um charme (que é!) :D É pela força, pela capacidade de inspirar, pela fé. Pela mudança e pelo optimismo. Pelas ideias.

Discurso disponível no site da CNN: 1ª parte e 2ª parte.

15 maio 2008

crescimento natural negativo

É o termo técnico para dizer que, no ano de 2007 morreu mais gente do que aquela que nasceu. Globalmente, nasceu menos gente que no ano anterior. Menos 3000 e tal bebés. Ao mesmo tempo, aumenta a esperança média de vida da população, o que significa que a população envelhece e há cada vez menos população activa para sustentar o sistema de segurança social. Lindo panorama.
No meio de tudo isto, os apoios à natalidade continuam ao nível de gotas de água no oceano. A precariedade no emprego também não ajuda, entre os estágios disto e daquilo, os contratos a prazo, os falsos recibos verdes e outras situações manhosas. Ainda há mulheres cujos contratos não são renovados se estiverem grávidas; conjugar vida familiar e carreira continua a ser complicado; as creches escasseiam e são caras; tudo o que seja «infantil» é dispendioso, dos leites às fraldas, roupas e acessórios. A isto acrescem as dificuldades com a aquisição de casa e carro e sua manutenção.
Ter um filho, actualmente, é um investimento quase impossível de fazer, mesmo descontando o investimento emocional na relação com o pai, o casório ou qualquer outra coisa do género :) Se multiplicarmos o investimento por dois descendentes, é uma festa ou uma missão impossível, dependendo da perspectiva! É que, estatisticamente, a substituição natural da população só se faz se cada mulher tiver dois filhos (o valor estatístico é 2,1 - eu é que arredondei!)...

14 maio 2008

Levavam todos um pontapé, se vos apanhasse a jeito!

O primeiro-ministro foi para a Venezuela, levou uns colegas de Gabinete e mais uns empresários e jornalistas. Fretou um avião da TAP e fumou lá dentro, com alguns membros da comitiva da visita oficial. Grande escândalo, manchete no Público, centenas de comentários no site do jornal... um Carnaval! Parecia-me um fait-divers transformado em notícia, independentemente da transgressão à lei; afinal de contas, transgredir transgredimos todos, a esta ou a outra lei e ninguém morre por isso. E o argumento de que o senhor devia dar o exemplo não colhe aqui para os meus lados, porque eu gosto de decidir quais as pessoas que me servem de modelo de comportamento.
Ficávamos por aqui, se o PM não tivesse decidido pedir desculpas, dizendo que não sabia que não se podia fumar dentro do avião(!) e que até tinha decido deixar de fumar, na sequência deste episódio lamentável.
Lamentável é transformar factozinhos em notícias; lamentável é a perda de tempo a comentar o comportamento do PM; lamentável é verificar que o PM se verga ao peso de uma opinião pública pseudo-chocada com a transgressão e que por isso faz um mea culpa público.
Haja paciência para tanta parvoíce!

18 abril 2008

o EMbigo e a EMoção

O Dr. Luís Filipe Menezes decidiu abandonar a liderança do PSD, seis meses depois de ter sido eleito. Deixando de lado os comentários aos ataques de que foi alvo e àqueles a que se expôs, às polémicas e aos tiros no pé, convém que se diga que ele não soube fazer as coisas, independentemente de tudo o resto. Ser líder também passa por saber agregar vontades em torno de um projecto comum. Aqui está disponível o discurso da despedida, que transcrevo:
O meu combate será este nas próximas semanas: estar junto dos militantes. (...) Vou cumprir religiosamente, ao contrário de outros do passado, as minhas responsabilidades, até ao fim. Estarei em todas as iniciativas partidárias para que me convidarem, para todas aquelas que já tenho programadas para as próximas semanas, em todos os actos de representação do meu partido. Eu cumpro os meus compromissos até ao fim. E, se este projecto, neste momento, foi interrompido, foi porque meia dúzia de pessoas com falta de sentido de responsabilidade, que só olham para o seu embigo, que não respeitam os militantes de base, que se estão totalmente marimbando para que o PSD ganhe ou perca eleições, que só pensam nos seus privilégios criaram uma condição insuportável para o PSD e para o seu líder.

14 abril 2008

Os últimos cartuchos do PREC

Discute-se o aumento das propinas cá do burgo. É uma animação! Como não podia deixar de ser, temos uma manif à porta. Aliás, a manif é dentro e fora das instalações. Dentro é um comício, com um dos de sempre a discursar com emoção. Lá fora, tocam tambores, urram cornetas e grita-se o estribilho «Aumento vergonhoso, Directivo é mentiroso!».
Deixo de parte a discussão sobre o aumento propriamente dito, porque não acho que caiba no meu blog. Confesso que não gosto especialmente desta agitação, apesar de entender que as pessoas devem lutar pelo que acreditam... mas lutar tem alguns limites, que nem sempre são respeitados - uma coisa é fazer barulho, outra é insultar e impedir que as pessoas possam fazer o que têm de fazer.
Em anos anteriores, os estudantes conseguiram passar as barreiras do aceitável; noutros, os manifestantes não chegavam às duas dezenas, mas tinham um megafone e um cão :)
Estava algo ansiosa com o dia de hoje. Tendo em conta experiências anteriores, o texto do volante que me deram à porta com os argumentos dos estudantes, o ajuntamento aqui à porta, o facto de decorrer a campanha para a Associação de Estudantes... não me apetecia nada estar cá!
E foi então que alguém me disse, com grande piada, que dada a tradição revolucionária desta casa, hoje seriam queimados os últimos cartuchos do PREC. Se pensar nisto como um momento histórico, pode ser que a coisa se passe com outro ritmo!

(tutu ruru tutu, tutu turu tuturu tururu tutu turu... )

04 abril 2008

Macedónia


Os gregos são uns tipos peculiares. Embirram com a Macedónia, porque têm uma província com o mesmo nome. Para grande sorte de uns e outros macedónios (os gregos e os ex-jugoslavos) a província grega e o pequeno estado europeu têm fronteira em comum e tudo, motivo para fazer redobrar o mau-feitio grego. Como já não bastava a chatice nos festivais da Eurovisão por causa do nome longo de um dos estados candidatos, desta vez, o nome do pequeno estado causou confusão suficiente para adiar a sua entrada na Aliança Atlântica, até se chegar a um acordo de nomes. Creio que ainda ninguém disse aos gregos, assim de caras, «há mais Marias na terra!». E acho que deviam... é que não há pachorra para denominações do estilo «Antiga República Jugoslava da Macedónia» (F.Y.R.O.M. - Former Yugoslav Republic of Macedonia).
Resolver a questão seria uma missão porreira para o amigo George W., em vez de andar pela NATO a massacrar tudo e todos com as sua pretensões parvas de instalar um escudo anti-mísseis na Europa, para proteger a América de potenciais ataques terroristas, deixando os russos aborrecidos. Para aborrecer os russos, já basta o pedido de adesão da Geórgia e da Ucrânia à NATO...
Mas voltando à Macedónia, a minha amiga Bolota lembrou-me que o mesmo termo designa, entre nós, uma popular mistura de legumes com a qual simpatizo pouco porque não tem milho :) Fiquei a pensar que devemos ser discretos, porque senão passamos a ter os gregos à perna... e a bela da mistura de legumes ainda arrisca a ter de mudar de nome, passando a denominar-se «mistura de legumes que ousou usurpar o nome de uma província grega»!
Ainda a propósito dos legumes: há alguns anos, desapareceu uma caixa cheia de macedónia, guardada no frigorífico comum da residência de estudantes onde habitei; apareceu no dia seguinte, sem as ervilhas! Alguém se deu ao trabalho de escolher as ervilhas, por algum motivo que me transcende... não deviam gostar de feijão verde e cenoura!

09 janeiro 2008

Ponto para ele!

O nosso PM decidiu ratificar o Tratado de Lisboa por via parlamentar. Tendo em conta o desconhecimento e o desinteresse geral da opinião pública relativamente às questões europeias, tendo em conta os níveis de abstencionismo registados nos referendos realizados até agora, tendo em conta que o Tratado só poderá vigorar se for ratificado pelos 27 Estados-membro, sem excepção, não me parece que seja uma opção descabida. Ó Zé, às vezes até acertas!

20 novembro 2007

citação do dia

Temos de fazer da ética da responsabilidade uma marca integrante do espírito de todos os Portugueses, sem a qual esforço, trabalho e riqueza serão desperdiçados.

Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República, no discurso do Dia de Portugal

04 outubro 2007

Birmânia


Concentração no Marquês de Pombal, no dia 8 de Outubro, entre as 19h e as 21h, a favor da vítimas da Birmânia. Vem e traz uma vela.

Pode ser que não mude nada, mas ficar parado também não resolve.

01 outubro 2007

Felicitações laranja


Na sexta-feira, o Dr. Luís Filipe Menezes ganhou as eleições directas para o cargo de presidente do PSD. Não sendo particularmente apreciadora do senhor e do seu estilo a dar para o popularucho, não deixei de aplaudir a sua vitória. Gosto quando ganha aquele que era dado como perdedor à partida: em política, nada é certo e eleições livres têm sempre uma margem de incerteza que não se deve desprezar. Gosto de ver a vontade popular expressa, mesmo quando esta não augura muito de bom para o partido ou para o país - não é de crer que o novo líder do maior partido da oposição seja um opositor à altura do actual líder do Governo: o tempo dirá se tenho ou não razão.
O voto dos militantes do PSD no Dr. Menezes pode não ter sido um voto de confiança na sua liderança, mas foi claramente, um voto de descontentamento com o seu antecessor e com o seu comportamento em campanha. Um líder em exercício é um líder, mesmo que esteja em plena campanha eleitoral - não deve usar determinadas armas, nem deve descer a determinados patamares, sob pena de perder o respeito daqueles que lidera. Nunca se viu uma campanha tão feia, tão suja, tão cheia de trocas de galhardetes, tão sem ideias, tão recheada de truques e manigâncias a cheirar a tramóia dos instalados no poder como esta. Se esta eleição prova alguma coisa, prova sobretudo que o eleitorado do PSD não anda a dormir.
Ao novo líder cabe mostrar que tem mais substância do que aquela que lhe é atribuída. Vamos ver do que consta a sua moção e a sua estratégia. Até lá, algum benefício da dúvida é-lhe devido. Parabéns, Dr. Menezes!

27 setembro 2007

o homem tem classe!

Santana Lopes abandonou o estúdios da SIC Notícias, depois de aquela estação de TV ter interrompido a entrevista com o político para noticiar a chegada de José Mourinho a Portugal. Esta notícia aparece em todos os media de hoje.
Sabe que mais, sr. Santana? Eu também acho que o país está doido e teria feito o mesmo :)
Estas loucuras mediáticas com o futebol chegam-me aos nervos. E não é que não goste do desporto, não gosto é do mediatismo sem sentido feito de «casos», indisciplina, dramas de alcova de dirigentes e jogadores e deste ou daquele resultado menos esperado num jogo. Como é que se justifica que todos os noticiários que vi desde o fim da noite de ontem até ao início desta manhã tenham iniciado com as notícias da Carlsberg Cup? É demais... e não há pachorra para isto.

26 março 2007

50 anos!

Para Cláudio Carneiro e Hiromi Noguchi.
Ontem celebraram-se os 50 anos do Tratado de Roma, que instituiu a Comunidade Económica Europeia e a Comunidade Europeia da Energia Atómica. Como europeísta convicta e estudiosa das questões europeias, o dia de ontem não me passou despercebido de todo... a começar na insistência da comunicação social em dizer que a União Europeia celebrava o seu quinquagésimo aniversário.

Não querendo ser chata, mas sendo, a União só nasceu em 1993, com a entrada em vigor do Tratado de Maastricht. Antes dessa data, existiam as Comunidades Europeias: a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), a EURATOM (Comunidade Europeia da Energia Atómica) e a CEE (Comunidade Económica Europeia), entidades supra-nacionais, para as quais os Estados-membros transferiram alguns poderes soberanos de forma a organizar sectores chave da economia: a indústria do carvão e do aço, a energia, os transportes, a agricultura, a concorrência.

O primeiro grande feito destas organizações foi estabelecer uma União Aduaneira entre os seis membros fundadores (República Federal da Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo), abolindo taxas alfandegárias e restrições quantitativas às exportações entre eles, melhorando os fluxos do comércio interno. O segundo, atingido por fases, foi o estabelecimento do Mercado Único Europeu e das 4 liberdades de circulação dentro das Comunidades: livre circulação de bens, pessoas, serviços e capitais.

Através de alargamentos sucessivos, as Comunidades atingiram os 9 (Dinamarca, Irlanda e Reino Unido), depois os 10 (Grécia), depois dos 12 (Portugal e Espanha) Estados membros. Em 1993, entrou em vigor o Tratado da União Europeia (Maastricht) que incluía novas áreas de actuação para a organização: política externa, segurança comum, assuntos internos. Em 1995, dá-se o quarto alargamento, com a entrada da Áustria, da Finlândia e da Suécia.
O grande momento de viragem para muitos cidadãos da UE foi a entrada em circulação da moeda única, em 2000. O euro, a circular actualmente em 12 Estados, tornou-se em pouco tempo na segunda moeda de reserva internacional e facilitou ainda mais as trocas comerciais entre os Estados.

Em 2004 dá-se o maior alargamento até agora: 10 Estados! Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia e República Checa juntam-se ao clube europeu. Entretanto, desde 2000/2001 que decorrem os trabalhos de criação de uma «Constituição para a Europa», com a participação dos 15 e dos 13 estados candidatos. O texto ainda não entrou em vigor, nem se sabe se entrará. Antes disso, terá de ser ratificado por todos os Estados-membros, com ou sem a realização prévia de um referendo sobre o tema. Dois dos referendos que já tiveram lugar foram desfavoráveis ao projecto, não propriamente pelo seu conteúdo, mas porque a maioria dos eleitores confundiu questões de política interna com questões europeias... Para muitos, a Constituição na sua actual forma está morta, ou pelo menos comatosa, devendo ser substituída por um tratado menos ambicioso até 2009. 2007 amanheceu com o último alargamento: entraram a Bulgária e a Roménia. Há mais três candidatos de momento - Croácia, Antiga República joguslava da Macedónia e Turquia.

Uma das grandes questões do momento para a União é o aprofundamento da integração, tendo em conta que há determinados poderes soberanos, como o poder fiscal, dos quais os Estados estão muito renitentes em abrir mão. Há ainda a questão da constitucionalização ou não da União: não se trata de facto de criar um «super Estado» ou os «Estados Unidos da Europa», mas trata-se acima de tudo de reunir num texto único as contribuições de mais de 50 anos de legislação e jurisprudência comuns, num texto acessível ao cidadão comum.

Há 50 anos atrás, numa época em que a insegurança internacional era um dos temas quentes, as Comunidades conseguiram dar uma resposta cabal ao problema, mostrando que a cooperação e a entre-ajuda entre Estados com vista a atingir um objectivo comum, seja ele o do desenvolvimento económico ou outro qualquer é a melhor forma de prevenir conflitos, contribuindo ao mesmo tempo para a melhoria das condições de vida de milhões de cidadãos.
As Comunidades e a União e os seus Estados-membros são o maior doador de ajuda humanitária e de ajuda ao desenvolvimento do mundo. Os desafios para o futuro passam essencialmente por melhorar a ligação entre as instituições e os cidadãos, no plano interno e, no plano externo, aumentar a representatividade e a capacidade de pressão da União enquanto actor de peso da sociedade internacional, nomeadamente nos domínios do ambiente, comércio, segurança global e protecção dos direitos humanos.