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22 abril 2009

Susan Boyle



Há dias, o meu tio mandou-me um e-mail intitulado "não devemos julgar um livro pela capa". Trazia um link para o vídeo da apresentação da Susan Boyle no programa Britain's got talent. Juro que estive quase a fazer-lhe um delete directo.
Vi por curiosidade. Depois disso, tenho visto este video muita vezes. Não estou sozinha: o vídeo passou a ser o maior sucesso do YouTube; Susan Boyle já teve direito a milhares de reportagens de televisão, já foi convidada para os talk-shows americanos de maior sucesso e provavelmente, levará o seu sonho até ao fim. Go, Susan!

Fora das conversas mais ou menos banais em torno do provérbio "quem vê caras não vê corações", dos contos de fada modernos da senhora feiúsca e com ar campónio que afinal é talentosa, e de como a nossa sociedade é cega, porque se limita maioritariamente a avaliar embalagens, o que me comove mais no caso Susan Boyle não é o talento, nem a surpresa que ela causou a todos os que viram. Creio que o mais importante nesta história toda é a coragem: a coragem de se apresentar em público conhecendo todas as premissas que enunciei, num programa em que o júri é referido como cruel, perante uma audiência que está ali para apreciar o prato.
Não é fácil correr atrás nos nossos sonhos. Nem é fácil sonhar, hoje em dia. Entalados entre as obrigações diárias e os comportamentos que esperam de nós, encostamos facilmente os sonhos a um canto, com medo do insucesso. Falhar é horrível. Estamos tão condicionados para o sucesso que não sabemos arrumar a viola no saco e partir para a próxima, com classe, em caso de insucesso. Sonhar é arriscado, por isso, habituamo-nos a sonhar apenas com coisas tangíveis, para reduzir o risco de insucesso e das consequentes depressões e dores. Torna-se mais fácil dar as coisas por resolvidas antes de se tentar a sério. É por isto que eu admiro a Susan Boyle - ela saiu do sofá e correu atrás do seu sonho.

Ousar. Arriscar. Empreender. Aventurar. Tentar.
Atitudes a incluir no léxico comportamental. Com medo, mas com coragem.

16 julho 2008

concorrentes maravilha

Os acontecimentos que relato a seguir tiveram lugar na edição do concurso «Sabe mais que um miúdo de 10 anos?» transmitida ontem. No geral, parece-me que a qualidade dos concorrentes é discutível, pelo menos. A da concorrente que vi ontem é... indescritível!
A concorrente estava na segunda questão, com um nível correspondente ao 1º ano do ensino básico. Era-lhe pedido que indicasse qual a letra que se segue ao W, no alfabeto. A concorrente disse estar hesitante entre o U e o V. Mas o mais interessante (e o mais cómico) nem foi isso: ao debitar o alfabeto, a concorrente hesitou na letra L e disse que achava que o Y se lhe seguia!
Outro momento hilariante: a pergunta era «Qual é o outro nome por que é conhecido o ponto cardeal oeste?». A concorrente pensa e responde «Sudoeste». A transmissão ficou neste ponto, o que quer dizer que hoje há mais: ou o parceiro desta concorrente escreveu a resposta certa e ela é «salva», ou então vai para casa. Se assim for, perdem-se mais algumas gargalhadas.

09 junho 2008

bom português

Acho que falo e escrevo correctamente. Acha o mesmo que eu? Vamos testá-l@!
Qual das seguintes palavras é sinónimo de «calhamaço, livro grande e antigo, alfarrábio»?
  1. Catrapácio
  2. Cartapácio
Se escolheu a hipótese 1, enganou-se, como eu :) Não sendo uma palavra que utilize, optei por essa expressão por associação ao termo catrapázio que ouvia nos meus tempos de estudo, usado como sinónimo de calhamaço e que, por acaso, nem existe. O termo correcto é CARTAPÁCIO, do vocábulo latino chartapaciu e que significa as expressões acima registadas :)
Apanhei esta pérola de manhã, enquanto me vestia, ao ver o Bom dia Portugal. Não resisti a publicar: é que, pela primeira vez, eu falhei a resposta correcta!
Assim se fala em bom português :D

12 outubro 2007

A evolução da espécie

Veste fatos estranhos, gravatas e camisas de gosto e coloração duvidosa; emparelha a cor da armação dos óculos com a cor de uma das peças acima referidas. Diz todo o género de parvoíces, entrevista as figuras mais peregrinas e é parte activa dos mais comoventes e/ou dos mais hilariantes momentos da TV matinal. É dos meus ídolos, claro está!

Eu ainda sou do tempo em que este senhor usava um farfalhudo bigode e aparecia nos programas da manhã da RTP, atrás de um balcão de cozinha, enfarpeladinho de branco, cortando vegetais, provando comidinhas, falando na necessidade de fazer uma alimentação correcta, com receitas simples. Era mais sisudo nessa altura, creio. Isso, ou o bigode impunha mais respeito!

Os pratos ficavam bonitos na televisão, as receitam eram fáceis - ainda me lembro de apontar receitas e quantidades num papel. Toda a gente tem memórias televisivas do tempo da outra senhora; eu tenho o Goucha. E tenho saudades desta sua faceta. Não me queiram mal por isso.

26 março 2007

É o país que temos?

Um programa de televisão propôs-se eleger, por via de votação pública, o maior português de todos os tempos. Pessoalmente, considero a ideia imbecil, ponto final. Mãe até pode só haver uma, mas portugueses já são uns milhõezitos ao longo da História, e escolher só um é um bocado... parvo!
Para grande surpresa de uns e outros, o mais votado de todos foi o Prof. António de Oliveira Salazar. Tendo em conta que:
  1. logo na lista dos 100 mais votados apareceu uma quantidade impressionante de candidatos improváveis;
  2. a história não é um forte da maior parte das pessoas;
  3. nos curricula académicos, a parte relativa ao Estado Novo passa quase em brancas nuvens;
  4. a memória política não é o forte da maioria das pessoas que vota neste género de programa;
  5. ainda há muito boa gente que pensa que «no tempo do Salazar é que era...!»,
estes resultados não chocam assim tanto. Por outro lado, é voz comum que as figuras autoritárias marcam, para o bem e para o mal. E no nosso país....

O nosso país «engole» alegremente tudo e mais alguma coisa. A pérola do momento é outro programa de televisão, intitulado «A Bela e o Mestre», no qual umas quantas candidatas supostamente bonitas mas não muito escolarizadas e/ou cultas são emparelhadas com senhores muito escolarizados mais feiotes e com poucas aptidões sociais. O objectivo desta maravilha televisiva é formar pares sólidos ou equilibrados, sujeitos a votação pública. Obviamente, há um prémio em dinheiro. Resta acrescentar que toda esta gente vive num casarão onde são filmados e seguidos diariamente. No fim de contas, é o Big Brother das burrinhas e dos espertinhos, com direito a emissões semanais longas e em directo, nas quais os pares prestam provas da sua cada vez maior (?) aprendizagem mútua.

Palavras para quê?

25 setembro 2006

Cervantes? quem, mesmo?

Estava a ver televisão há minutos. Um concurso. Pergunta fácil no programa Um contra todos: Que figura aparece na face da moeda de cinquenta cêntimos espanhola?
Hipóteses:
a) Miguel de Cervantes
b) Luís de Camões
c) Marquês de Pombal
Diz o concorrente «ah e tal, às vezes as respostas são tão óbvias que enganam. não sei se os nuestros hermanos poriam o Camões ou o Pombal numa moeda deles...».
Pergunta o Malato «então e quem foi o Cervantes?»
Pausa.
Concorrente com ar sério e compenetrado.
Responde, passado uns segundos «não sei!»
Total cara de gozo do Malato. «o Cervante era suplente no Real Madrid» :D
E diz o concorrente «bom, na dúvida, COMPRO!»
Comprou mesmo. Não sabia MESMO quem era Cervantes. E creio que ainda acreditou quando o Malato lhe disse que a obra mais conhecida do senhor era um volume fininho!!! Ganha esta gente dinheiro em concursos...? Fiquei indignada!